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Raquel Loio



“No primeiro dia da escola primária, foi um jovem que nos recebeu. Éramos um pequeno grupo de crianças. Ele tinha uma aura de gentileza, bondade, e era muito simples. Conversou connosco, apresentou-nos a escola. Nós estávamos encantados com a receção, entusiasmados e sempre a brincar. Então, o jovem disse que tinha de sair, porque mais crianças chegariam. Combinámos ir atrás dele para ver. Voltámos a correr e a rir à entrada da escola. E, aí, eu parei subitamente e permaneci a observar, surpreendida. As crianças que chegavam, éramos novamente nós! Olhei para os meus colegas para ver a reação deles. Eles viram, mas demasiado vagamente, não entenderam o que se estava a passar e dispersaram. Foram brincar. Não notavam que se repetiam constantemente, gerando uma multidão. Eu não fui brincar, fiquei à parte. Lentamente, aproximei-me do jovem e toquei no seu braço. Ele olhou para mim com compaixão. Não pôde dizer nada, mas o seu olhar era de reconhecimento e de confirmação de que, sim, eu estava a perceber. A nossa vontade infantil de querer como que repetir a vivência da chegada à escola dividiu-nos. Eu era a criança que tinha vivido, mas agora era também a criança que queria reviver. E, assim começou a fragmentação. Naquele momento, não soube o que fazer, eu já estava no tempo! Mas, iniciou-se uma ação de observação no sentido de uma unificação, de um viver humano integrado, além da fragmentação do tempo." (Loio, R., 2025)
Efígie

Efígie (dezembro, 2024)

"No campo do desconhecido não existem mistérios, porque não há quem se conheça, pasme e se pergunte pelo oculto. No campo do desconhecido tudo é visível, tudo. Não existe inconcebível, não existe intocável. Assim, vê-se, pode haver surpresa com aquilo que se vê, mas não se pergunta por mais. E, como não há enigmas, a esfinge não devora, se é que existe!" (excerto retirado do livro)

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O Oráculo de Naia (janeiro, 2024)

"‒ Naia, é assim que se forma um anjo! ‒ Grita o Oráculo, colocando-se diante de um quadro com um grande bloco de papel envelhecido e atira-lhe um balde de tinta diluída, de cor azul. A tinta vai escorrendo, formando linhas aleatórias, que se desenham sozinhas, sem plano. Então, diz bem alto:

‒ Este é o sistema circulatório de um anjo! ‒ Retorna ao seu estado normal, faz uma pausa, olha para o painel com atenção e conclui:

‒ Sim, está tudo certo, no seu devido lugar!" (excerto retirado do livro)

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Hórus e Hator (agosto, 2023)

"Eles vão-se integrando, sendo um, e vão-se desintegrando, sendo dois. E, como um, são amor, como dois amam um ao outro." (excerto retirado do livro)

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A criança caiu na minha vez (março, 2023)

"O universo, tão grandioso, é o mais humilde. Não há portas para o universo, mas ele contém todas as portas. Então, se perceber uma porta fechada, também a abrirá como muitos dos seus seres. Não há céu para o universo, porque ele é também o céu. Então, ele deixa o logro de voar ainda que muitos dos seus seres o conquistem." (excerto retirado do livro)

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O canto de Acalântis (agosto, 2022)

"Quando é que o despertar é verdadeiro? Porque o sono pode sonhar-se desperto. É esta pergunta que me manterá vigilante." (excerto retirado do livro)

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O sábio, o diabo e a nascente (maio, 2022)

"Intriga-me a atitude que dispensa qualquer intermediação. Intriga-me tudo aquilo que não parece, mas que, afinal, é intermediação. Quem vai diretamente ao princípio das suas questões é muito mais feliz. É alguém que ri fácil e compreende as penas à tinta, quando a tinta é o meio que jamais teve." (excerto retirado do livro)

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O eixo do tempo (julho, 2021)

"A renúncia será sempre à ilusão, que é titânica." (frase retirada do livro)

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O fio da deusa do destino (reedição*, março, 2022)

"Vê quem logra ver, é o que diz esta paisagem nebulosa e a nebulosidade dissipa-se, mostrando um navio capaz de percorrer o mar imenso." (excerto retirado do livro)


*Primeira edição publicada com o título Sempiterno, em abril de 2019.

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